Quando a intolerância chega antes.

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Essa semana um incidente na minha cidade natal (a pequena Guapé, no sul de Minas) se destacou bastante nas redes sociais. Vou resumir: primeiro, um grupo de pessoas colocou na entrada da cidade um outdoor reverenciando o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro. Ato contínuo, um segundo grupo que não gostou muito de ver o outdoor (e provavelmente o que ele representa) foi lá e danificou o material. Acabaram detidos.

Olha, antes de mais nada, o debate sobre o tema “Jair Bolsonaro” me parece muito bom, como já falei aqui em um post passado. Sua candidatura à presidência nos obrigará a refletir sobre diversos temas sensíveis, muitas vezes evitados pelos políticos mais tradicionais. Vejo com bons olhos falarmos sobre desarmamento, aborto, estado laico, homossexualidade e tantos outros que, inevitavelmente virão à tona com a candidatura de Bolsonaro. Como já disse, com respeito ao próximo e ordem, nenhum assunto precisa ser evitado.

Mas vejam bem, o episódio dessa semana em Guapé (como tantos outros que acontecem pelo Brasil, na mesma linhagem) sequer permite uma análise sobre os benefícios e malefícios de termos Jair Bolsonaro como presidente. Não permite, já que a intolerância chegou antes e acabou com tudo.

Que fique bem claro que eu não defendo e nem faço campanha para Bolsonaro. Pelo contrário, não gosto do seu discurso machista e de exaltação religiosa (para ficarmos com poucos exemplos). Como já disse anteriormente aqui, quero ter a oportunidade de ver com meus próprios olhos o que é real e o que é personagem na figura do ex-militar.

O ponto no qual eu quero chegar é bem simples: não existe debate produtivo com intolerância, provocações desmedidas e atos de violência. Os autores da depredação do outdoor não tinham o direito de fazer o que fizeram. Isso é bem simples, já que vivemos em um estado de direito que dita as regras sociais.

Quem se sentiu atacado ou incomodado com o outdoor, deveria, primeiramente, procurar seus direitos. Se a lei não permitisse a colocação da publicidade, aí sim caberia a solicitação de remoção. Se ela permite, só resta entender que esse é o preço de se viver em uma democracia. Ponto final.

Qualquer coisa diferente disso é reproduzir, em escala adulta, o comportamento de uma criança mimada que bate no coleguinha que não quis lhe emprestar um brinquedo.

E vamos combinar uma coisa: fica ainda mais feio ser intolerante com alguém (Bolsonaro) que é sistematicamente acusado de ser intolerante, né? Desse jeito vocês vão acabar ajudando esse senhor no seu objetivo de ser presidente. Pensem nisso.

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