Supremo Tribunal Federal – O reality show do judiciário.

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O chilique – ataque nervoso ou histérico; faniquito, fricote – que teve o ministro Luís Roberto Barroso com seu colega de corte Gilmar “do Mato Grosso” Mendes, semana passada, novamente atraiu os holofotes da nossa sociedade para o Supremo Tribunal Federal (que nos últimos anos tem sido mais assistido que as novelas da Record). E olha que o embate nem foi dos melhores. O meu predileto ainda é o card principal de 2009: Joaquim Barbosa x Gilmar Mendes.

Discussões à parte, o episódio novamente me fez refletir sobre algo que não penso de hoje: a exposição midiática exagerada das ações do Supremo e, consequentemente, de seus membros (fazendo dos ministros verdadeiros pops stars) criou uma atmosfera de show na corte. Me parece que, sabendo que tudo que acontece ali repercute, os ministros exageram e carregam de dramaticidade suas falas e atos. Teria Barroso falado o que falou, da forma como falou, se não tivesse certeza que seria notícia instantânea em todos os portais e jornais do país?

A exposição tem sido tamanha nos últimos anos que a mídia está ansiosa por um candidato à presidência egresso do STF. Já se falou em Joaquim Barbosa, Carmem Lúcia e agora Barroso parece que vai entrar na “briga” também.

É uma inversão de papéis que só prejudica o país.

Olha, nada contra ao acesso à informação. Longe de mim. Acho a transmissão ao vivo das sessões, por exemplo, uma iniciativa brilhante. Sempre defendo e incentivo o debate na nossa sociedade, mas me parece preocupante termos juízes do STF, guardiões da Constituição por definição, extremamente preocupados com a repercussão de seus atos. Preocupados em dar entrevistas. Preocupados se serão notícia.

A profissão de juiz exige certos cuidados que ajudam a transmitir credibilidade às decisões. E, definitivamente, não estamos vendo esse cuidado por parte dos ministros do Supremo.

Claro que o mecanismo de nomeação de ministros para o STF não ajuda muito: é um processo puramente político e normalmente os vitoriosos já são os que já “levam jeito” para a articulação. Mas, uma vez lá, nossos ministros precisam entender que seus interesses pessoais jamais podem se sobrepor aos interesses coletivos.

Se querem ser políticos, tudo bem. Mas que sejam no local certo, onde não gozarão da vitaliciedade de seus cargos. Se optarem pela magistratura, que se preocupem mais com os milhares de processos parados em seus gabinetes e menos com os holofotes que tanto procuram.

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