Religião, eu posso não me importar com você?

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Eu já escrevi sobre política aqui. Sobre futebol também. E faltava falar um pouco sobre religião. Afinal, são os temais mais interessantes possíveis e seria injusto deixar um deles de fora.

Algumas facetas das religiões, seja qual religião for, já são bastante discutidas. É chover no molhado falar como faz mal para o mundo o extremismo religioso, como atrasamos a ciência com discursos vazios de fé e como é tosco quando queremos limitar as liberdades individuais com base em crenças pessoais. Muita gente boa já fala disso com extrema propriedade e, se o leitor me permite a #dica, vale sempre a pena dar uma lida nesses textos para não nos esquecermos da melhor reflexão feita até hoje no mundo: “o meu direito começa quando o direito do coleguinha termina”.

Agora, uma coisa que sempre me espantou muito, por mais que eu procure entender os motivos, é como as pessoas exigem de nós um posicionamento religioso!

Ninguém fica surpreso quando você diz que nunca parou para pensar se prefere McDonald’s ou Burger King, ou se acredita que o aquecimento global é real ou uma farsa criada pela mídia. Também passa batido se você não tem posição ou opinião sobre artes plásticas, música clássica, gatos, cachorros, Vingadores ou Liga da Justiça.

Mas não ouse não ter um posicionamento religioso! Isso não pode.

Como assim você nunca parou para pensar sobre a sua existência, sua origem, seu destino final? Quem ousa fugir desse dilema tão cabeludo?

Quando eu quero ser bem sintético sobre o assunto religião, eu simplesmente digo que acredito que as pessoas, ao longo dos séculos, precisaram criar histórias e respostas para as perguntas que elas eram (e ainda são) incapazes de responder. Pro homem é muito difícil simplesmente dizer: “poxa, não consigo responder essa questão. Vou estudar mais, desenvolver tecnologia e, talvez, um dia eu esteja mais próximo da resposta”. Nada disso. Para cada dúvida sempre criamos uma bela história que serviu como verdade (e gerando punições para quem ousava discordar) até a ciência conseguir uma resposta e passar vergonha na resposta religiosa. São centenas de exemplos: Terra plana, geocentrismo, origem do universo etc.

É por isso que, do ponto de vista de crença pessoal, eu não me interesso por religião e acredito que não preciso ter uma opinião, um posicionamento.

Mas como eu já disse, isso é muito difícil de ser aceito e, ao longo dos anos, fui desenvolvendo uma preguiça faraônica sobre o assunto. Como eu sabia que seria um debate muito vazio, perdi o interesse em explicar para as pessoas o meu ponto de vista, o meu raciocínio, meus exemplos. Mas eu precisava dizer alguma coisa, não é? Afinal, a sociedade não aceitaria facilmente o meu silencio sobre esse assunto tão relevante.

Foi aí que eu encontrei uma saída muito boa: de uns dez anos para cá só respondo: “sou ateu”.

E acreditem, foi um alívio. O assunto acaba quase que na hora. Ou seja, o que importa mesmo é eu ter um posicionamento, nem que ele seja negar a existência que qualquer divindade e magia cósmica.

Essa técnica foi muito libertadora: reduzi a quase zero os aborrecimentos. Antes, todo mundo queria me converter, me mostrar algum caminho, me apresentar alguma coisa que eu não queria. Depois de “virar ateu”, meu deus, as coisas ficaram muito mais leves. Os religiosos desistiram de disputar a minha alma.

Mas pensem comigo: isso não é incrível?

É um pouco parecido com um aspecto da história das guerras: “a neutralidade quase nunca é bem vista pelos dois lados do conflito, ou você está do meu lado ou prefiro que seja meu inimigo”. Num contexto diferente, vejo semelhança: prefiro saber que você é ateu do que um cara sem rótulo, que não tem “lado”.

Esse ser humano é um puta bicho louco.

Não tem problema falar sobre religião. É um tema muito rico, já que carrega muita história com ele. Agora, só entendam que às vezes é possível para uma pessoa ser indiferente ao tema. Simplesmente não se importar em ter ou não uma posição. Ou então, se você pensa diferente, vai ter que ficar bravo toda vez que um amigo não souber se prefere churros de doce de leite ou chocolate. Conceitualmente é a mesma coisa.

 

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